sexta-feira, julho 22, 2016

Everybody Hates Hudson: 1x02 - Primeiro dia de Aula


Aperte aqui se você quiser ler esse post ouvindo uma musiquinha bacana, que pode ou não ter a ver com o que você vai ler. Bom, como eu disse que iria contar outras histórias do meu passado não tão distante, eis que hoje vocês vão ler como foi meu primeiro dia e semana de aula no primeiro colegial. Imaginem – Fevereiro de 2003 – Como eu disse no post anterior, eu me lasquei geral e fui mandado para uma escola na qual NENHUM OUTRO amiguinho meu da oitava série foi, ou seja, se eu tivesse grana ou fama o suficiente, a Record hoje estaria exibindo “Todo Mundo Odeia o Hudson”.

Entendam que, na minha época (sim, gente velha que diz isso), as “crianças” tinham tudo cara de marginal já, de quem tinha cometido uns 37 crimes só naquela semana. Era todo mundo mal encarado, ou talvez fosse apenas meu medo interno fazendo mal juízo das pessoas... Não, não era... Naquela época era assim mesmo, eu por exemplo, aos 11 anos já tinha 2 metros de altura e com barba crescendo no rosto. Fato engraçado é que, pelo meu porte físico eu poderia comprar bebida alcoólica para todo mundo, mas, como eu não bebo... Isso também é história para outro episódio.


Como eu estava dizendo, quando eu fui jogado, sozinho, no meio daquela gente, eu entrei em PÂNICO. Na minha cabeça só passava: “Fodeu, fodeu, fodeu... É assim que eu vou morrer. O QUE QUE A MINHA MÃE TINHA NA CABEÇA?”... A gente mal encarada era um motivo, o outro era que, a minha escola costumava fazer as formaturas de fim de ano na quadra e no pátio em volta dela, um ambiente fechado... E para tampar os buracos e telhados quebrados, para os pais não chegarem lá e ficarem imaginando: “Onde fui que eu coloquei o meu filho nesses últimos três anos?”, eles tampavam o espaço TODO com uma lona branca, aquela merda ficava parecendo o interior da nave da Xuxa, eu suponho...

Só que, acabava a formatura e eles acabavam com aquela merda? Não! Aquela lona ficava por quase um mês ainda de aula, era carnaval e aquilo ainda estava ali... Enfim... Também naquela época, era permitido fumar dentro da escola e veja bem, eu era uma criança recém saída da oitava série, que tive mãe, pai e o que fazer dentro de casa, então... Pra mim era muito estranho ver aquela gente fumando e pior ainda, lembra que eu falei da lona? Lembra também que eu falei que aos 11 anos eu já tinha 2 metros de altura? Agora imagina eu solto naquela quadra, respirando aquela fumaça toda... NÃO TINHA PRA ONDE AQUELA FUMAÇA IR, era ambiente fechado... Nessas horas ter 1,65 não me parecida uma má idéia... Eu fico imaginando como aquele lugar nunca pegou fogo e não aconteceu uma morte em chamas coletiva...


Se naqueles primeiros meses eu não me tornei fumante, pode ter certeza que eu nunca irei me tornar. Eu ia para a escola todo cheio de perfume e voltava pra casa parecendo que eu passei o dia todo andando com o cowboy da Marlboro. Inclusive eu não sei como a minha mãe nunca me acusou de fumar... Acho que é porque ela fuma, então misturava o cheiro do cigarro dela, com a minha roupa e tava tudo certo...

De qualquer maneira, a semana começou, e começou mal para o meu lado. Eu sempre fui de fazer mais amizades com garotas do que com garotos e nessa minha primeira semana de aula, meu anjo da guarda não devia estar muito atento com os acontecimentos, e eu fui fazer amizade, justo com uma garota que tinha um garoto que era afim dela. Ao contrário de mim, a maioria da minha turma já tinha estudado junto antes e foram mandados para lá juntos e quem tomou no toba, fui eu. O problema é que, eu não tinha interesse nela, ela não tinha interesse em mim e de repente, já tinha gente me odiando gratuitamente.


Depois desse excelente inicio de confraternização com meus novos coleguinhas, foi hora da gente ter aula de educação física. Eu não sabia naquele momento, mas quando aquela professora aparentemente louca entrou na sala, ela acabaria se tornando a melhor professora que eu já tive na minha vida. Só que não naquele dia, naquele dia ela era uma louca! Sem contar que, eu não fazia educação física na minha antiga escola, eu tinha atestado médico e quando a gente foi pra quadra e eu mostrei o atestado pra ela, só faltou ela rasgar tudo em mil pedaços, jogar na minha cara e dizer que agora eu não tinha mais um atestado, que eu era um gordo safado e que se eu não começasse a correr com o resto da turma, ela não iria me deixar voltar pra casa.

Bom, primeira atividade que esse ser louco deu para a galera foi: Colocar todo mundo dentro de uma das traves de futebol, um outro aluno no meio da quadra e mandou todo mundo correr dessa trave para a outra trave vazia, do outro lado da quadra. Nesse momento, meu anjo da guarda acordou pra vida e disse: “Olha, não vai na ideia dela não. Vai dar merda e vão colocar a culpa em você, que é imenso!”. Quando ela falou “VALENDO”, o que eu fiz? Fingi que corri, só que fui na direção daquela pessoa, que era pra ela me pegar e eu ser barrado antes de chegar na outra trave. Só que eu fui a única pessoa que pensou assim...

O resto da turma, um bando de criança louca competitiva querendo mostrar que era foda, saiu correndo desesperada e entrou na trave... Mas não entrou bonitinho não meu filho, parecia que tinha um humano ali e o resto da turma era tudo o “Walking Dead”. Uma menina caiu e se enroscou na rede, uma outra chegou, não brecou e caiu em cima dela (Inclusive uma delas é a Ariane, não lembro qual foi, só sei que eu estou impressionado que ela conseguiu ter um filho depois de ter o útero todo esmagado ali) e foi um caindo em cima do outro, e a trave caiu... E...


Lembra que eu falei que era primeira semana de aula? O que acontece na primeira semana? Muito professor ainda ta nem ai com a vida e não foi dar aula, ou seja, AULAS VAGAS, ou seja, METADE da escola estava em volta da quadra quando essa trave tombou com 35 pessoas dentro e apenas eu, a pessoa que deveria pegar todo mundo e a professora no meio da quadra, olhando, desacreditados do ocorrido. Naquele momento eu não dei risada, do mesmo jeito que aquele povo caiu, pra levantar de lá me dando uns tiro na cara, não demorava muito...

E qual foi a reação da professora? Ela foi até aquele bolo feito de humanos perguntar se estava todo mundo bem. Sim, estavam! Com marca de sola de sapato na cara, com as unhas falsas quebradas, com a orelha sangrando porque o brinco rasgou... Mas estavam bem... Tendo essa informação, o que ela fez em seguida? Agachou e deu risada. Nunca na minha vida (até então) eu tinha visto alguém rir tanto quanto ela. Acredito que ela deve ter até se urinado um pouco de tanto dar risada. O que aconteceu depois? Não lembro! Olha como a mente é engraçada, né? Mas eu sei que vão se passar mais 30 anos, e disso, eu não vou esquecer.


Hoje em dia eu fico imaginando que, ainda bem que nessa época quase ninguém tinha celular e quem tinha, não existia com câmera ainda. Ou redes sociais. Já pensou se existissem? Nós estaríamos eternizados como um grande viral no youtube. Ou no mínimo passando todo domingo nas cacetadas do Faustão. E caso você esteja se perguntando se as formaturas ainda hoje acontecem na quadra da escola, não. No ano seguinte em que eu me formei a escola tomou vergonha na cara e passou a alugar um salão de eventos em um outro bairro. Não é bacana?

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